terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Palavras
Há uns tempos para cá começei a valorizar as palavras de forma diferente.
A verdade é que sempre fui prolixa, sempre manipulei as ideias baseada num conhecimento adquirido dos livros, e sempre fui capaz de defender até aquilo em que não acreditava sem mentir, só com a correcta utilização da palavra.
Agora decidi não o fazer. E tenho aceitado palavras sem as analisar, sem lhes procurar o sentido mais profundo. Aceito-as tal como são: leio,juntando as letrinhas todas e acredito nelas. Azul é azul. Beijo é beijo. Carícia é carícia. Nada mais.
E é quase como uma descoberta, porque simplifiquei a ideia transmitida pela palavra até ao seu mais pequeno significado.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
domingo, 17 de janeiro de 2010
Keats
Hoje fui mais uma vez ao cinema. Fui ver Bright Star da Jane Campion e chorei. Quase duas horas de êxtase visual acompanhadas de uma história de amor e os poemas de Keats. Mais uma vez, a vida arrastou-me para olhar para ela. Mais uma vez, fui sacudida pelos ombros enquanto me gritavam aos ouvidos:
OLHA!
SENTE!
VIVE!
A thing of beauty (Endymion)
A thing of beauty is a joy for ever:
Its lovliness increases; it will never
Pass into nothingness; but still will keep
A bower quiet for us, and a sleep
Full of sweet dreams, and health, and quiet breathing.
Therefore, on every morrow, are we wreathing
A flowery band to bind us to the earth,
Spite of despondence, of the inhuman dearth
Of noble natures, of the gloomy days,
Of all the unhealthy and o'er-darkn'd ways
Made for our searching: yes, in spite of all,
Some shape of beauty moves away the pall
From our dark spirits. Such the sun, the moon,
Trees old and young, sprouting a shady boon
For simple sheep; and such are daffodils
With the green world they live in; and clear rills
That for themselves a cooling covert make
'Gainst the hot season; the mid-forest brake,
Rich with a sprinkling of fair musk-rose blooms:
And such too is the grandeur of the dooms
We have imagined for the mighty dead;
An endless fountain of immortal drink,
Pouring unto us from the heaven's brink.
John Keats
(1795-1821)
OLHA!
SENTE!
VIVE!
A thing of beauty (Endymion)
A thing of beauty is a joy for ever:
Its lovliness increases; it will never
Pass into nothingness; but still will keep
A bower quiet for us, and a sleep
Full of sweet dreams, and health, and quiet breathing.
Therefore, on every morrow, are we wreathing
A flowery band to bind us to the earth,
Spite of despondence, of the inhuman dearth
Of noble natures, of the gloomy days,
Of all the unhealthy and o'er-darkn'd ways
Made for our searching: yes, in spite of all,
Some shape of beauty moves away the pall
From our dark spirits. Such the sun, the moon,
Trees old and young, sprouting a shady boon
For simple sheep; and such are daffodils
With the green world they live in; and clear rills
That for themselves a cooling covert make
'Gainst the hot season; the mid-forest brake,
Rich with a sprinkling of fair musk-rose blooms:
And such too is the grandeur of the dooms
We have imagined for the mighty dead;
An endless fountain of immortal drink,
Pouring unto us from the heaven's brink.
John Keats
(1795-1821)
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Vou andando por entre as coisas.
Desvio-me do que me magoa. Do que me desconforta.
Caminho por entre as pessoas e ouço-lhes as vozes, mas não percebo a língua.
Escondo-me em óculos escuros e tapo os ouvidos com música muito alta. Ólho para o que me rodeia e vejo tudo, só para não ver dentro de mim.
Racionalizo a minha vida: isto é por causa disto, aquilo por causa daquilo. Estratifico sentimentos, catalógo ideias, divido desejos. Ponho etiquetas e arrumo tudo em caixas com avisos de FRÁGIL de ponta a ponta. NÃO MEXER!
Por vezes, volto a rir às gargalhadas. Volto a sentir o toque de um homem. A partilhar segredos de sedução e desejo. A sentir pele contra pele e o bater de um peito encostado a mim. E aí, nesse instante, liberto-me e baixo a guarda e permito-me soltar a imaginação. Porque nada me pode magoar naquele instante. Estou protegida num abraço à minha dor.
Estou farta de sentir que perdi alguma coisa pelo caminho, que houve algo que me escapou. Sentir que fiz o mais certo, mas não o mais correcto.
Vou andando por entre as coisas com medo delas, porque já não sei vê-las com olhos inocentes, porque já não sei olhar para elas sem pensar em outra coisa.
Desvio-me do que me magoa. Do que me desconforta.
Caminho por entre as pessoas e ouço-lhes as vozes, mas não percebo a língua.
Escondo-me em óculos escuros e tapo os ouvidos com música muito alta. Ólho para o que me rodeia e vejo tudo, só para não ver dentro de mim.
Racionalizo a minha vida: isto é por causa disto, aquilo por causa daquilo. Estratifico sentimentos, catalógo ideias, divido desejos. Ponho etiquetas e arrumo tudo em caixas com avisos de FRÁGIL de ponta a ponta. NÃO MEXER!
Por vezes, volto a rir às gargalhadas. Volto a sentir o toque de um homem. A partilhar segredos de sedução e desejo. A sentir pele contra pele e o bater de um peito encostado a mim. E aí, nesse instante, liberto-me e baixo a guarda e permito-me soltar a imaginação. Porque nada me pode magoar naquele instante. Estou protegida num abraço à minha dor.
Estou farta de sentir que perdi alguma coisa pelo caminho, que houve algo que me escapou. Sentir que fiz o mais certo, mas não o mais correcto.
Vou andando por entre as coisas com medo delas, porque já não sei vê-las com olhos inocentes, porque já não sei olhar para elas sem pensar em outra coisa.
Subscrever:
Mensagens (Atom)